quarta-feira, 1 de julho de 2015

Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia

On-line version ISSN 1677-9487

Arq Bras Endocrinol Metab vol.52 no.6 São Paulo Aug. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302008000600005 

REVISÃO

O papel dos produtos finais da glicação avançada (AGEs) no desencadeamento das complicações vasculares do diabetes

The role of advanced glycation end-products (AGEs) in the development of vascular diabetic complications


Júnia H. P. Barbosa; Suzana L. Oliveira; Luci Tojal e Seara
Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Maceió, AL, Brasil



RESUMO
Os produtos finais da glicação avançada (AGEs [do inglês, Advanced Glycation End-products]) constituem uma classe de moléculas heterogêneas formadas a partir de reações aminocarbonilo de natureza não-enzimática, que ocorrem aceleradamente no estado hiperglicêmico do diabetes. Considerados importantes mediadores patogênicos das complicações diabéticas, os AGEs são capazes de modificar, irreversivelmente, as propriedades químicas e funcionais das mais diversas estruturas biológicas. Na presente revisão, são apresentados os dados recentes da literatura que descrevem as vias de formação de AGEs, seu metabolismo, os principais mecanismos de ação dessas substâncias no desencadeamento dos processos patológicos, bem como os métodos de determinação de AGEs em amostras biológicas. Este artigo aponta, ainda, novas perspectivas de terapias anti-AGEs, a exemplo de estudos envolvendo a ação de compostos naturais dos alimentos, que podem oferecer potencial terapêutico para os portadores de diabetes ou de outras patologias associadas ao acúmulo degenerativo de AGEs.
Descritores: Produtos finais de glicação avançada; Diabetes; Macroangiopatia; Microangiopatia

ABSTRACT
The advanced glycation end-products (AGEs) constitute a class of heterogeneous molecules formed by amino-carbonyl reactions of a non-enzymatic nature, which occur at an accelerated rate in the hyperglycemic state of diabetes. Considered important pathogenic mediators of diabetic complications, AGEs are capable of irreversibly modifying the chemical properties and functions of diverse biological structures. In this review, recent data from literature is presented describing the pathways of AGEs formation, their metabolism, the main mechanisms of action of these substances in the triggering of pathological processes associated with diabetes, as well as methods of AGEs determination in biological samples. This text also points to new perspectives in anti-AGE therapies, an example of which is the studies involved with the action of natural compounds of food, which can represent a potential coadjuvant therapy for people with diabetes or other pathologies associated with the degenerative accumulation of AGEs.
Keywords: Advanced glycation endproducts; Diabetes; Macroangiopathy; Microangiopathy



INTRODUÇÃO
As complicações vasculares do diabetes melito são a principal causa de morbimortalidade nos países desenvolvidos e constituem preocupação crescente para as autoridades de saúde em todo o mundo (1). Entre as teorias que explicam como a hiperglicemia crônica conduz aos danos celulares e teciduais observados nessa doença, a formação dos produtos de glicação avançada, também chamados AGEs (do inglês, Advanced Glycated End-Products), é considerada uma das mais importantes (2,3).
Os efeitos patológicos dos AGEs estão relacionados à capacidade destes compostos de modificar as propriedades químicas e funcionais das mais diversas estruturas biológicas. Por meio da geração de radicais livres, da formação de ligações cruzadas com proteínas ou de interações com receptores celulares, os AGEs promovem, respectivamente, estresse oxidativo, alterações morfofuncionais e aumento da expressão de mediadores inflamatórios. A contribuição dos AGEs para o desenvolvimento e a progressão das complicações diabéticas encontra-se bem evidenciada na literatura (4-6).
A atual pandemia de diabetes tem estimulado pesquisas sobre sua intrincada fisiopatologia, a fim de que haja melhora na detecção, na prevenção e no tratamento das complicações associadas. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo descrever o papel dos AGEs como importantes mediadores das diversas complicações diabéticas. Para tanto, serão tratados as vias de formação de AGEs, seu metabolismo, os principais mecanismos de ação dessas substâncias no desencadeamento dos processos patológicos, bem como os métodos de determinação de AGEs em amostras biológicas. Este artigo aponta, ainda, novas perspectivas de terapias anti-AGEs, a exemplo de estudos envolvendo a ação de compostos naturais dos alimentos.

PRODUTOS FINAIS DA GLICAÇÃO AVANÇADA (AGEs)
Os produtos finais da glicação avançada (AGEs) constituem grande variedade de substâncias formadas a partir de interações amino carbonilo, de natureza não-enzimática, entre açúcares redutores ou lipídeos oxidados e proteínas, aminofosfolipídeos ou ácidos nucléicos (7). Embora parte dos mecanismos que levam à formação dos AGEs permaneça ainda desconhecida, a química destas complexas reações pode ser esquematizada como mostra a Figura 1.
A via clássica da reação de Maillard, também denominada glicação, inicia-se com a formação de base de Schiff instável, gerada pela condensação de grupamento carbonila de açúcar redutor, como a glicose, com um grupamento amina, oriundo, por exemplo, do aminoácido lisina, composto especialmente suscetível à reação. Na seqüência, a base de Schiff sofre rearranjos, tornando essa estrutura mais estável, o produto de Amadori, modernamente conhecido como early Maillard reaction products (early MRPs) ou produtos iniciais da reação de Maillard. A hemoglobina glicosilada e a frutosamina são conhecidos exemplos de produtos de Amadori. Os produtos de Amadori gerados possuem grupos carbonilas reativos, que se condensam com grupos aminas primários acessíveis, dando origem aos produtos avançados da reação de Maillard - AGEs (6,7).
Os mecanismos alternativos de formação de AGEs incluem a chamada via do "estresse carbonílico", na qual a oxidação de lipídeos ou de açúcares gera compostos dicarbonílicos intermediários altamente reativos (8). A glicólise e a autoxidação de glicose, por exemplo, produzem metilglioxal e glioxal, que interagem com aminoácidos para formar AGEs. Estes compostos dicarbonílicos chegam a ser 20 mil vezes mais reativos do que a glicose e são os principais intermediários da formação de AGEs (9). Os AGEs formados a partir da oxidação de açúcares ou de lipídeos podem também ser denominados, respectivamente, produtos da glicoxidação ou da lipoxidação avançada. Deve-se ressaltar que, durante algumas das reações que levam à formação de AGEs, espécies reativas do oxigênio (ROS) são geradas e concorrem paralelamente com o estresse oxidativo e com os danos estruturais e funcionais às macromoléculas (10,11).
A formação de AGEs in vivo pode, adicionalmente, envolver neutrófilos, monócitos e macrófagos, os quais, após estímulo inflamatório, produzem mieloperoxidase e a enzima NADPH oxidase, que induzem a formação de AGEs por meio da oxidação de aminoácidos (8).
Em virtude da complexidade e da heterogeneidade das reações que podem ocorrer, apenas poucos AGEs foram claramente identificados e podem ser quantificados em estudos laboratoriais. A carboximetilisina (CML), a pirralina e a pentosidina são exemplos de AGEs bem caracterizados e amplamente estudados (5,12).

METABOLISMO DE AGEs
O pool endógeno de AGEs reflete basicamente o balanço cinético de dois processos opostos: a formação endógena e a absorção de AGEs exógenos, de um lado, e a degradação e a eliminação de AGEs por sistemas especializados, de outro (4).
A formação de AGEs ocorre vagarosamente sob condições fisiológicas, e afeta predominantemente moléculas de meia-vida longa, como o colágeno, exercendo importante função no processo de envelhecimento (13). No entanto, sob condições de hiperglicemia ou estresse oxidativo, a geração de AGEs aumenta intensamente (10,14). Os portadores de diabetes apresentam concentrações séricas de AGEs significativamente mais altas que os indivíduos não-diabéticos (15). A mensuração da hemoglobina glicosilada (HbA1C), variante de hemoglobina que carrega um produto da Amadori em sua cadeia β, reflete a ocorrência de hiperglicemias nos últimos três meses e, indiretamente, de glicação avançada. A HbA1C é importante marcador biomolecular e a sua determinação é considerada, até o presente, o indicador mais confiável de progressão do diabetes (16).
Acreditava-se, originalmente, que os AGEs formavam-se, em primeiro lugar, a partir de reações não enzimáticas entre glicose e proteínas extracelulares. Porém, por causa da maior reatividade dos precursores dicarbonílicos derivados da glicose gerados intracelularmente (glioxal, metilglioxal e 3-deoxiglicosona), a alta concentração de glicose intracelular é considerada atualmente o evento iniciador primário da formação de AGEs intra e extracelulares (2,17).
A formação de AGEs é predominantemente endógena, mas esses produtos podem ser introduzidos no organismo por fontes exógenas, como o fumo e a dieta (3,18).
A dieta é considerada a principal fonte exógena de AGEs e pode exercer importante influência no desenvolvimento de diversos quadros patológicos, especialmente do diabetes (19). Sabe-se que, aproximadamente, 10% dos AGEs ingeridos com a dieta são absorvidos, embora os mecanismos referentes a essa absorção não estejam totalmente esclarecidos. Da fração absorvida, cerca de dois terços são retidos no organismo e apenas um terço é excretado pela urina, dentro de 48 horas, por indivíduos com função renal normal (8,20). A formação de AGEs nos alimentos é potencializada por métodos de preparo que utilizam altas temperaturas e baixa umidade (fritar, assar ou grelhar), sendo os alimentos ricos em lipídeos os principais contribuintes do conteúdo dietético de AGEs (21). Há evidências de que os AGEs dietéticos se somam ao pool de AGEs endógenos, favorecendo o surgimento e a progressão das diversas complicações do diabetes (3,19).
O fumo é também considerado importante fonte exógena de AGEs (3). Durante a combustão do tabaco, espécies reativas de AGEs são volatilizadas, absorvidas pelos pulmões e podem interagir com proteínas séricas (22). Isso se reflete no fato de que as concentrações séricas de AGEs e de AGE-apoproteína B em fumantes se apresentam significativamente mais altas que em não-fumantes (23).
O organismo possui mecanismos de defesa contra o acúmulo degenerativo de AGEs. Os sistemas enzimáticos capazes de influenciar o pool endógeno de AGEs incluem a oxaldeído redutase e a aldose redutase, eficientes na detoxificação de intermediários dicarbonílicos reativos. Os sistemas enzimáticos glioxilase I e II, a frutosamina-3-cinase e a frutosamina oxidase (amadoriase) são também responsáveis por interromper reações de glicação em diferentes estágios (24). Porém, sob condições de excesso de AGEs, como no diabetes, hiperlipidemia, insuficiência renal e em indivíduos que consomem dieta com alto conteúdo em AGEs, esses sistemas podem ser superados (25).
A remoção dos AGEs formados nos componentes teciduais é realizada pela proteólise extracelular ou pelas células scavenger, como os macrófagos, que endocitam AGEs via receptores e, após a degradação intracelular, liberam na circulação AGE-peptídeos solúveis e de baixo peso molecular, para serem excretados com a urina (6). Entre esses AGE-peptídeos, também denominados "segunda geração de AGEs", pode haver intermediários altamente reativos, mas seus efeitos são limitados pela excreção renal (26). Assim, a eficiência dos sistemas de remoção de AGEs depende, em última instância, da eficiência do clearance renal. A disfunção renal que ocorre em pacientes portadores de nefropatia, por exemplo, resulta na falha da remoção dos AGEs circulantes e contribui consideravelmente para as altas concentrações de AGEs séricos e teciduais encontradas nesses pacientes (27).
Adicionalmente, a lisozima, proteína com reconhecida propriedade antimicrobial, possui alta afinidade por AGEs e é capaz de auxiliar na remoção desses compostos (8). Em estudos in vivo e in vitro, a lisozima demonstrou propriedades protetoras importantes, como a melhora da excreção renal e a diminuição das concentrações séricas de AGEs, além da supressão da ativação celular adversa mediada por AGEs (28). Todavia, os mecanismos envolvidos nesses achados estão ainda sob investigação (22).
Associados a esses processos de formação/absorção e degradação/eliminação, os fatores genéticos podem influenciar o metabolismo de AGEs nos indivíduos e, conseqüentemente, a predisposição para o desenvolvimento de patologias associadas a estes compostos, como o diabetes, a aterosclerose, a artrite, a osteoporose e a doença de Alzheimer (18,29). Como exemplo, o polimorfismo do RAGE, um dos reconhecidos receptores de AGEs, foi associado a um leve efeito protetor quanto ao desenvolvimento de nefropatia em portadores de diabetes tipo 1, sugerindo importante impacto da expressão gênica no surgimento de complicações vasculares do diabetes (30).

MECANISMOS DE AÇÃO DOS AGEs
Os AGEs podem danificar as células por três mecanismos básicos. O primeiro é a modificação de estruturas intracelulares, incluindo aquelas envolvidas com a transcrição gênica. O segundo mecanismo é a interação de AGEs com proteínas da matriz extracelular modificando a sinalização entre as moléculas da matriz e a célula, gerando disfunção. O terceiro mecanismo se refere à modificação de proteínas ou lipídeos sangüíneos; as proteínas e os lipídeos circulantes modificados por AGEs podem, então, ligar-se a receptores específicos, causando a produção de citocinas inflamatórias e fatores de crescimento, que, por sua vez, contribuem para a patologia vascular do diabetes (2,6,17).
Os AGEs formados intracelularmente podem alterar propriedades celulares importantes para a homeostase vascular. A modificação por AGEs do bFGF (basic fibroblast growth factor), por exemplo, reduz em 70% a atividade mitogênica do citosol das células endoteliais (31). Mais relevantes são as alterações genômicas que podem ocorrer após a interação entre AGEs e nucleotídeos, histonas ou proteínas envolvidas na transcrição do DNA celular (17).
As proteínas de meia-vida longa que constituem a matriz extracelular e as membranas basais vasculares são também suscetíveis à formação e ao acúmulo de AGEs. Além de reduzir a solubilidade e a digestibilidade enzimática, a formação de AGEs compromete a conformação geométrica dessas proteínas, causando anormalidades estruturais e funcionais permanentes. Há evidências de que a formação de ligações cruzadas entre AGEs e o colágeno tipo I ou elastina conduza ao aumento na área da matriz extracelular, resultando aumento da rigidez da vasculatura. A formação de AGEs na laminina compromete a reunião de seus polímeros, diminuindo, assim, sua interação com o colágeno tipo IV e com o proteoglicano de heparam sulfato (17,31).
Os AGEs não interferem apenas nas interações entre os componentes da matriz extracelular, mas também nas interações entre as células e a matriz. Um bom exemplo dessa interferência consiste da diminuição da adesão das células endoteliais por causa das alterações causadas por AGEs nos domínios de ligações celulares do colágeno tipo IV (2).
Entre os mecanismos pelos quais os AGEs podem contribuir para o desenvolvimento e a progressão das complicações vasculares do diabetes, a interação desses compostos com receptores presentes na superfície de diversos tipos celulares merece papel de destaque. Desde as primeiras pesquisas sobre AGEs in vivo,especulou-se sobre a possível existência de sistema de receptores para AGEs, responsável pela remoção desses produtos nos tecidos, limitando seus efeitos deletérios. Demonstrou-se, originalmente, que as proteínas modificadas por AGEs eram reconhecidas por receptores específicos que foram associados aos sistemas de receptores scavenger. Hoje, sabe-se da existência de um complexo sistema de reconhecimento de AGEs, que exerce importante função na patologia associada ao diabetes (22).
Entre uma variedade de receptores de AGEs ou proteínas ligantes de AGEs que têm sido descritos na literatura, o receptor RAGE é provavelmente a molécula mais bem caracterizada (32,33). O RAGE pertence à superfamília das imunoglobulinas de superfície celular, estando seu gene localizado no cromossomo 6 no complexo principal de histocompatibilidade entre os genes para as classes II e III. As regiões para o fator nuclear-kB (NF-κB) e para a interleucina-6 (IL-6) estão localizadas no gene promotor do RAGE, controlando a expressão desse receptor e associando o RAGE às respostas inflamatórias. O RAGE é minimamente expresso nos tecidos e na vasculatura sob condições fisiológicas. No entanto, sua expressão está aumentada em macrófagos, monócitos, células musculares lisas, células endoteliais e astrócitos sob condições de excesso de AGEs, um exemplo defeedback positivo (31,32).
A interação AGE-RAGE nas células endoteliais ativa a transcrição do NF-κB, levando ao subseqüente aumento da expressão de seus genes-alvo, como endotelina-1, vascular cell adhesion molecule-1 (VCAM-1), selectina E, fator tecidual, trombomodulina, VEGF (vascular endothelial growth factor) e de citocinas pró-inflamatórias que incluem a interleucina-1a (IL-1a), (IL-6) e o fator de necrose tumoral-a (TNF-α), além do próprio RAGE. O bloqueio do RAGE, por sua vez, inibe a ativação do NF-κB (31).
Há evidências que comprovam o envolvimento do RAGE no desenvolvimento das macro e microangiopatias diabéticas. Shoji e cols. (34) demonstraram, por exemplo, que a presença do RAGE é essencial para o comprometimento da resposta angiogênica no diabetes e que o bloqueio funcional desse receptor é capaz de restaurar a resposta angiogênica suprimida. Em um outro estudo, a inativação do gene para o RAGE em um modelo animal de nefropatia diabética resultou supressão significativa das modificações renais características e evidenciou que o grau da injúria renal era proporcional à dosagem de genes para o RAGE (35).
Outros receptores, como os denominados AGE-R1, AGE-R2 e AGE-R3, e os receptores scavenger de macrófagos classe A tipos I e II, também são capazes de reconhecer e ligar-se a AGEs, mas não demonstraram qualquer atividade de transdução de sinal após a interação com AGEs. Ao contrário, eles são associados ao clearance e à detoxificação desses compostos. O denominado CD36, receptor scavenger da classe B, similarmente reconhece AGEs e está envolvido no clearance desses compostos da circulação, mas exerce importante função na indução do estresse oxidativo na célula. Os AGEs também são reconhecidos pelos receptores scavenger classe E, lectin-like oxidized LDL receptor-1 (LOX-1), fasciclina, epidermal growth factor-like (EGF), laminin-type epidermal growth factor-like (LE), link domain-containing scavenger receptor-1 e 2 (FEEL-1 e FEEL-2) (31).
A modulação das diferentes atividades exercidas pelos receptores de AGEs constitui campo de grande interesse para os investigadores e tem sido associada a diversos fatores, como concentração de glicose, insulina, AGEs e espécies reativas de oxigênio (ROS) em vários tipos de células. As medidas freqüentemente utilizadas em estudos para avaliar a modulação dos receptores de AGEs centram-se nos parâmetros de ativação celular (22).
A caracterização de moléculas de receptores de AGEs, de suas organizações genômicas, bem como de seus polimorfismos genéticos, têm sido elucidados e poderão contribuir para o desenvolvimento de novas terapias anti-AGEs (22).

AGEs E AS COMPLICAÇÕES DIABÉTICAS
Os AGEs são considerados importantes mediadores patogênicos das complicações do diabetes, convencionalmente classificadas em micro ou macroangiopatias. A microangiopatia diabética é termo geral utilizado para denominar as modificações funcionais dos leitos microvasculares, nos quais o endotélio e as células associadas são progressivamente danificados pela hiperglicemia, resultando oclusão capilar, isquemia e falência de órgãos. Já o termo macroangiopatia diabética refere-se às complicações cardiovasculares, que constituem a principal causa de morbimortalidade em pacientes com diabetes melito. Ambos os tipos de diabetes (1 e 2) representam fator de risco independente e poderoso para doença arterial coronariana, infarto e doença arterial periférica (25,36).
O envolvimento dos AGEs na patogenia das micro e macroangiopatias diabéticas é fato bem estabelecido na literatura, embora alguns dos mecanismos que os envolvem e que conduzem aos danos celulares e teciduais característicos estejam, ainda, sob investigação (22).
AGEs e a microangiopatia diabética
No diabetes, as células especialmente afetadas pela hiperglicemia são as células endoteliais dos capilares da retina, as células mesangiais do glomérulo renal, os neurônios e as células de Schwann nos nervos periféricos. Isso se deve à incapacidade desses tipos celulares regularem o transporte de glicose para o meio interno, ficando suscetíveis às altas concentrações de glicose durante os estados hiperglicêmicos. Essas altas concentrações intracelulares de glicose, por sua vez, estimularão as vias bioquímicas responsáveis pelas alterações fisiopatológicas do diabetes, quais sejam, via do poliol, via da hexosamina, via dos AGEs e via da proteína quinase C-, entre as quais destaca-se a via de formação dos AGEs (2,17).
Retinopatia diabética
Apesar de anos de investigações clínicas e laboratoriais, a retinopatia diabética permanece a principal causa da deterioração da visão e da cegueira entre os adultos em idade produtiva, sendo clinicamente diagnosticada a partir do desenvolvimento de sinais oftalmoscópicos, como microaneurismas, hemorragias e manchas características que afetem a retina (37). A natureza multifatorial das várias vias implicadas nessa patologia constitui o obstáculo para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficientes, embora se saiba do importante envolvimento dos AGEs no surgimento e progressão da retinopatia diabética (38).
Os AGEs podem ser detectados nos vasos sangüíneos da retina e acredita-se que sejam responsáveis pelo aumento da permeabilidade das células endoteliais e que contribuam para a oclusão vascular (39). Os pericitos expressam receptores RAGE que, ao interagirem com seus ligantes AGEs, desencadeiam o aumento na transdução de sinais celulares e causam um dos fenômenos característicos da retinopatia diabética: a perda dos pericitos. Nas células endoteliais, os AGEs-RAGE causam a superprodução do fator de crescimento das células do endotélio vascular (VEGF), que, por sua vez, estimula a angiogênese e a neovascularização, ambas também envolvidas na patogênese da retinopatia (5).
Nefropatia diabética
A nefropatia diabética é a principal causa de doença renal em estágio terminal nos países desenvolvidos (40). A nefropatia é caracterizada pelo desenvolvimento de proteinúria, aumento da pressão sangüínea sistêmica e declínio da função renal (41).
Embora os eventos moleculares precisos que levam à nefropatia diabética estejam ainda sendo investigados, sabe-se que a membrana basal glomerular, as células mesangiais, os podócitos e as células tubulares renais acumulam altos níveis de AGEs. Os AGEs (via RAGE) aumentam a liberação do fator de crescimento β (TGF-β), que estimula a síntese de componentes da matriz do colágeno, fenômeno este que deve contribuir, ao menos parcialmente, para o espessamento da membrana basal, característico da nefropatia diabética. O acúmulo de AGEs no colágeno da membrana basal, aliado à capacidade desses compostos de se ligarem a proteínas plasmáticas, pode também contribuir para o espessamento da membrana basal, alterações na filtração e, finalmente, para a perda da função glomerular. A redução da filtração é, em parte, por causa da compressão dos capilares e da diminuição da superfície de área onde ocorre a filtração, por causa da expansão do leito mesangial. As células mesangiais de cultura possuem receptores para AGEs e respondem aos AGEs com o aumento da síntese de proteínas da matriz e de colágeno tipo IV (22).
Neuropatia diabética
Embora seja alta a incidência de neuropatia periférica em pessoas diabéticas, é difícil estabelecer a prevalência deste distúrbio em virtude da diversidade das suas manifestações clínicas. A neuropatia diabética é caracterizada pela desmielinização segmentar e degeneração axonal dos neurônios periféricos, acompanhada de anormalidades funcionais, como a redução da condução nervosa e do fluxo sangüíneo. Pode apresentar-se clinicamente pela diminuição das percepções de vibrações, dor e temperatura, especialmente nas extremidades inferiores. Além disso, na neuropatia do sistema nervoso autônomo há defeitos nas respostas vasomotoras, diminuição das respostas cardíacas, distúrbio da motilidade do trato gastrintestinal, incapacidade de esvaziar a bexiga e disfunção sexual (42).
Existe aumento da glicação da mielina nos diabéticos. A mielina glicada é suscetível à fagocitose por macrófagos, que também podem ser estimulados a secretar proteases, contribuindo para a desmielinização do nervo na neuropatia diabética. Adicionalmente, os AGEs na mielina podem se ligar a proteínas plasmáticas, como a IgG e a IgM e estimular reações imunes, que potencializem a desmielinização neuronal. Com base em estudos experimentais, evidenciou-se que a disfunção neuronal está estreitamente associada com a ativação do NF-κB e com a expressão de citocinas pró-inflamatórias, como a IL-6 e o TNF-α. Considerando-se que a interação AGE-RAGE resulta a ativação do NF-κB, há a hipótese de que os AGEs possam contribuir significativamente para a disfunção neuronal no diabetes (5). Os nervos de pacientes diabéticos apresentam reatividade imunológica aumentada para CML e RAGE, consistente com a hipótese da via AGE-RAGE-NF-κB estar supra-regulada nos nervos periféricos dos diabéticos (43). Os AGEs podem também estar envolvidos no processo de espessamento dos vasos sangüíneos que suprem o nervo, ocasionando isquemia vascular. A isquemia vascular é supostamente fator importante no desenvolvimento dessas alterações neurais (5).
Comprometimento da cicatrização de feridas no diabetes
A cicatrização normal de feridas constitui seqüência complexa e coordenada de eventos, que envolvem migração de células específicas para o local, inflamação, proliferação de diferentes tipos de células, angiogênese, formação de componentes da matriz, remodelamento e, finalmente, fechamento. O comprometimento da cicatrização de feridas no indivíduo diabético é a principal causa de grande número de amputações e, conseqüentemente, do aumento da morbimortalidade (44).
A resposta inflamatória que sucede à lesão é importante para a rápida cicatrização da ferida. No diabetes, há inicialmente retardo no afluxo de células inflamatórias para o local do ferimento, mas, quando estas células se estabelecem, ocorre então estado de inflamação crônica, prevenindo a deposição de componentes da matriz, o remodelamento e, finalmente, o fechamento da ferida. A resposta inflamatória sustentada é acompanhada pela interação AGEs-RAGE, que estimula a liberação de moléculas pró-inflamatórias, como o TNF-α e as metaloproteinases (MMPs) destruidoras da matriz, as quais limitam o fechamento da ferida. Além disso, a interação AGE-RAGE nos fibroblastos pode causar a redução da deposição necessária do colágeno, comprometendo ainda mais o processo normal de cicatrização (5).
AGEs e a macroangiopatia diabética
Em contraste com as células envolvidas na doença microvascular do diabetes, nas células do endotélio arterial, capazes de regular a concentração interna de glicose, ocorre o aumento do fluxo de ácidos graxos livres provenientes dos adipócitos por causa da resistência à ação da insulina ou a falta desse hormônio. O conseqüente aumento da oxidação desses ácidos graxos pela mitocôndria leva à superprodução de espécies reativas de oxigênio (ROS) pela cadeia de transporte de elétrons mitocondrial, o que ativa as mesmas vias bioquímicas responsáveis pelas alterações fisiopatológicas do diabetes: via do poliol, via da hexosamina, via da proteína quinase C e via de formação dos AGEs (2,17).
Os AGEs podem ser altamente deletérios à integridade e à função dos vasos sangüíneos de diversas maneiras. No interior da parede dos vasos, os AGEs formam ligações cruzadas intra e intermoleculares em proteínas da matriz, "aprisionam" proteínas plasmáticas, causam enrijecimento da vasculatura, extinguem a atividade do óxido nítrico (NO) e da prostaciclina (PGI2), além de interagirem com receptores para modular grande número de propriedades celulares. Os AGEs não apenas diminuem os níveis desses dois importantes fatores relaxantes derivados do endotélio, mas também induzem a produção do potente vasoconstritor endotelina-1 pelas células endoteliais por meio da ativação do NF-κB. Nas proteínas de baixa densidade plasmáticas (LDL), os AGEs iniciam reações oxidativas que promovem a formação da LDL oxidada. A interação dos AGEs com células que se acumulam nas placas arterioscleróticas, como os fagócitos mononucleares e as células musculares lisas, gera estímulos que intensificam a resposta inflamatória. Adicionalmente, a interação dos AGEs com componentes da parede dos vasos aumenta a permeabilidade vascular, a expressão da atividade pró-coagulante e a geração de ROS, resultando expressão aumentada de moléculas de adesão leucocitárias endoteliais. Os AGEs modulam os estágios iniciais da arterogênese, desencadeando processo inflamatório-proliferativo e contribuindo para a propagação da inflamação e para a perturbação vascular na doença já estabelecida (6,31,36).

AGEs COMO MARCADORES DO DIABETES
A estrutura de número crescente de AGEs tem sido elucidada e acredita-se que a mensuração desses produtos no soro ou nos tecidos dos portadores de diabetes poderá ser útil para avaliar o risco de progressão da doença. Diversos estudos têm utilizado o colágeno da pele ou proteínas plasmáticas para investigar correlações dos diferentes AGEs com a gravidade das complicações diabéticas (45). Os produtos de glicoxidação CML e pentosidina foram associados à nefropatia e à retinopatia (46). A neuropatia está associada a quase todos os marcadores avaliados, sugerindo que o nervo seja mais suscetível ao estresse carbonílico total que a vias específicas de formação de AGEs. No entanto, existe ainda considerável incerteza em relação à contribuição efetiva de cada AGE para as alterações celulares e teciduais observadas no diabetes. Incerteza adicional reside nas limitações dos diferentes ensaios utilizados para quantificar os AGEs, entre elas a falta de propriedade que caracterize todo o grupo (45).
A fluorescência, sob comprimentos de onda entre 370 e 440 nm, é utilizada para mensurar AGEs, mas a natureza da fluorescência pode ser altamente heterogênea e não relacionada aos produtos da glicação. A pentosidina pode ser quantificada pela cromatografia líquida de alta performance (HPLC), porém a hidrólise ácida utilizada nessa técnica pode gerar artefatos que interfiram no resultado. A CML é mais precisamente mensurada pela cromatografia gasosa associada à espectrometria de massa (GC/MS) ou pela cromatografia líquida associada à espectrometria de massa (LC/MS), mas esses métodos se tornam inconvenientes para grande número de amostras. Testes imuno-reativos que utilizam anticorpos mono ou policlonais especificamente desenvolvidos também são utilizados em investigações sobre AGEs, mas apresentam baixa sensibilidade (45).
Uma inovação nos experimentos clínicos diz respeito à utilização de leitor de autofluorescência (AFR [do inglêsautofluorescence reader]), que quantifica o acúmulo de AGEs na pele de maneira não-invasiva e poderá se tornar ferramenta útil para a avaliação do risco de complicações crônicas do diabetes. O AFR foi recentemente validado e estudos preliminares realizados com pacientes diabéticos confirmaram as correlações entre idade, controle glicêmico, função renal e autofluorescência da pele (47-49).

PERSPECTIVAS
Os AGEs contribuem de maneira clara e relevante para o surgimento e a progressão das complicações do diabetes, representando alvo promissor para intervenções terapêuticas. Uma variedade de agentes que apresentam propriedades anti-AGE está sendo atualmente investigada e pode atuar de diversas maneiras, incluindo a diminuição da absorção de AGEs, a inibição da formação de produtos de Amadori, a prevenção da progressão dos produtos de Amadori a AGEs, a diminuição do estresse oxidativo, a ligação e detoxificação de intermediários dicarbonílicos e a interrupção de vias bioquímicas capazes de causar impacto nos níveis de AGEs. Entre esses agentes estão medicamentos, suplementos e terapias dietéticas.
Os medicamentos investigados incluem aminoguanidina, aspirina, OBP 9195, ALT-946, ALT-711, metformina e bloqueadores de receptor da angiotensina-II e, embora nenhum deles tenha sido ainda aprovado para indicação específica anti-AGE, alguns já se encontram em fases pré-clínica e clínica de testes (7,8). A aminoguanidina, composto de hidrazina que se encontra em fase de teste em humanos, previne a formação de AGEs ao reagir com produtos iniciais da glicação e demonstrou ser eficaz na melhora da proteinúria, da elasticidade dos vasos e na prevenção da retinopatia diabética. Porém, alguns efeitos colaterais associados ao seu uso crônico, que incluem a maior incidência de glomerulonefrite e a deficiência da vitamina B6, têm exi-gido o esforço dos pesquisadores para estabelecer dosagem segura para sua utilização terapêutica em portadores de diabetes (8,31,50).
Em outra linha de investigações, a restrição dietética de AGEs tem emergido como estratégia efetiva e viável por demonstrar efeitos benéficos em relação a arteriosclerose (51), uremia (52), proliferação da íntima após angioplastia (53), sensibilidade à insulina (54,55), cicatrização de feridas (56) e prevenção do diabetes tipo 1 (57) com a simples modificação dos métodos de preparo dos alimentos. Em um estudo envolvendo seres humanos, a restrição do consumo de alimentos fritos, grelhados ou assados, por períodos que variaram de duas a seis semanas, foi responsável pela diminuição significativa dos níveis séricos de AGEs e de mediadores inflamatórios envolvidos na angiopatia diabética (58).
Outro aspecto que tem atraído o interesse de pesquisadores é a presença de compostos que apresentem propriedades de antiglicação e/ou antioxidantes nos alimentos, que possam oferecer potencial terapêutico para os portadores de diabetes ou de outras patologias associadas ao acúmulo degenerativo de AGEs. Embora nenhum alimento ou componente alimentar seja ainda especificamente indicado como redutor de AGEs in vivo, algumas substâncias demonstraram efeitos anti-AGE importantes e merecem investigações adicionais, como piridoxamina (7,59), alilcisteína (componente do extrato de alho) (60), compostos fenólicos (61-64), vitaminas C e E (65), tiamina (66,67), taurina (68) e carnosina (69).
Os recentes avanços no conhecimento da formação, identificação e ação dos AGEs têm criado novas possibilidades de diagnóstico, monitoramento, prevenção e tratamento das patologias associadas ao diabetes. No entanto, muitos estudos são ainda necessários para a elucidação de questões estratégicas relativas à repercussão desses compostos nesse contexto, a fim de estabelecer intervenções seguras que melhorem a qualidade de vida dos milhões de portadores dessa enfermidade.

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CoQ10 é pouco conhecida mas Fundamental para Saúde

Melhore sua qualidade de vida, peça agora mesmo sua Coenzima Q10. 

Composição: Coenzima q10 60 cápsulas de 100mg. 

Indicação: 

- Antioxidante

- Auxiliar na prevenção de enxaquecas

- Combate dores musculares

- promove disposição

- maior energia na pratica de exercícios

- cardioprotetor

- auxiliar no tratamento da diabets e doença de alhzeimer

Detalhes:

A Coenzima Q10 é uma molécula lipossolúvel produzida pelo organismo humano e que também está presente na carne bovina, sardinha, espinafre e amendoim. Conforme o tempo passa, os níveis de Coenzima Q10 (Co Q10) no organismo humano decrescem, por isso é importantíssimo suprir esse déficit com a ingestão a partir de fontes externas.

A Co Q10 possui um papel importante no transporte de elétrons na mitocôndria, ou seja, na produção de energia, o que melhora a atividade cardíaca pela redução do esforço e prevenção de ataques.

Ela possui também uma propriedade antioxidante muito forte, que pode ser potencializada pela associação com outros ingredientes anti-aging. Além da ação antioxidante, a Co Q10 também é utilizada no tratamento de diabetes, doenças respiratórias, Alzheimer, como agente protetor gástrico e até mesmo no combate à caspa.

A Co Q10 parece também diminuir a progressão da doença de Parkinson, de acordo com os resultados de um estudo duplo-cego. O estudo foi feito com 80 pacientes com a doença em seu estágio inicial e que, por essa razão, não necessitavam de medicamentos. Os pacientes foram randomizados e receberam 300, 600 ou 1200mg/dia de Co Q10 ou placebo 4x/dia. Todos os pacientes também receberam vitamina E durante o estudo. As avaliações dos pacientes foram contínuas durante quatro meses, a partir daí o estudo se estendeu até que fosse necessário introduzir a medicação ou então até 16 meses, no máximo. Durante oito meses de estudo, houve resposta padrão dos pacientes no que se refere à diminuição da deterioração da função cognitiva, do humor, habilidades motoras e das atividades diárias (como vestir-se, tomar banho, andar e etc.). Uma escala de avaliação apontou que os problemas foram menores nos pacientes que tomaram doses de 1200mg/dia (44% menor), ao passo que o grupo tratado com placebo sofreu mais.

Fonte: Dalissa.com.br

Coenzima Q10, o que é e para que serve afinal?

Um dos ingredientes que mais tem chamado a atenção nos produtos contra rugas é a coenzima Q10, que aparece marcada bem grande especialmente dos produtos da Nívea no Brasil. Mas o que é esse ingrediente e qual o seu efeito na pele?

A Coenzima Q10 é produzida pelo nosso corpo e atua na transformação dos nutrientes em energia para as células e também como fator antioxidante. Os níveis de coenzima Q10 (também conhecida por Ubiquinona) diminuem com a idade e estão também reduzidas em pacientes com doenças crônicas como doenças cardíacas, distrofias musculares, doença de parkinson, câncer, diabetes e HIV-Aids. Por esse motivo o consumo de suplementos que contém essa enzima pode ser indicado para uma série de condições clínicas. Existem dois suplementos em cápsulas contendo a coenzima Q10 o Coex e o Vinocard Q10 .


As pesquisas científicas tem se concentrado nesse aspecto da coenzima Q10, e muito pouca informação pode ser encontrada sobre o seu uma como cosmético. Mais recentemente , porém, também tem se estudado o efeito do ingrediente na pele e o seu papel no envelhecimento. Estudos tem mostrado que o total de coenzima Q10 diminui com a exposição ao Sol (o mesmo que acontece com o Licopeno) o que demonstra que essa substância também tem papel protetor contra os danos causados pelo Sol à pele.

Alguns estudos científicos como esse aqui de um grupo americano de 2006 e esse outro alemão de 1999 demonstraram que compostos contendo a Coenzima Q10 para uso tópico (em cremes) tiveram um efeito positivo da redução do fotoenvelhecimento da pele.

Além da Nívea  (que tem uma linha completa para o corpo, rosto, olhos, etc) existem outros cosméticos que contém o ingrediente e que podem dar uma ajuda contra os efeitos do envelhecimento. A maioria desses produtos é indicado para peles secas (já que em geral a oleosidade diminui com a idade, portanto se você tem a pele oleosa, fale com o seu médico antes de escolher um produto anti-idade para o rosto)

Fonte: Blogbulledebeaute.com


A coenzima Q10 e seus efeitos no tratamento de doenças degenerativas

 A Coenzima Q10 é uma substância lipossolúvel também conhecida como CoQ10, vitamina Q10, ubidecarenona, ou ubiquinona. Pode ser obtida da dieta ou de suplementos alimentares, mas é também produzida endogenamente. É encontrada principalmente nas mitocôndrias, que são organelas celulares produtoras de energia.

 Carne, aves e peixes são as fontes mais concentradas de CoQ10, e a ingestão diária desses alimentos fornece entre 2 a 20 mg, o qual não eleva significativamente os níveis de CoQ10 no sangue e nos tecidos. Pequenas quantidades são encontradas em cereais, soja, nozes e vegetais, particularmente espinafre e brócolis. A absorção da CoQ10 proveniente da dieta (ou suplementos) ocorre no intestino delgado e é influenciada pela presença de alimentos e bebidas. É melhor absorvida na presença de alimentos ricos em lipídeos. Depois de absorvida, a CoQ10 é transportada ao fígado onde é incorporada dentro de lipoproteínas e concentrada nos tecidos. A concentração de CoQ10 nos tecidos humanos atinge seu pico aos 20 anos diminuindo com o aumento da idade.

 Encontrada na maioria dos organismos vivos, desde sua descoberta em 1957 por Crane e seus colegas na Universidade de Wisconsin-Madison, e da identificação de sua estrutura química por Folkers e colegas em 1958, a CoQ10 tem sido extensivamente estudada por seu papel chave na produção de energia celular – está envolvida no transporte de elétrons e prótons e na síntese de ATP na membrana mitocondrial - e por agir como antioxidante seqüestrador de radicais livres.

 Devido à CoQ10 não ser classificada como vitamina ou mineral, não há valor de referência dietético ou recomendação diária estabelecida. Entretanto, alguns sinais e sintomas são associados com a falta de CoQ10. A deficiência tem sido associada à falência cardíaca congestiva, doença isquêmica do coração, cardiomiopatia, hipertensão, hipertiroidismo e câncer de mama. No entanto, não está claro se a falta da CoQ10 contribui para o desenvolvimento da doença ou se é causada pela doença.

 A deficiência pode ocorrer como um resultado de ingestão e/ou produção inadequada causada pelo envelhecimento ou pela deficiência de nutrientes necessários para a síntese, defeitos genéticos ou adquiridos na síntese ou no metabolismo e interações com medicamentos – beta-bloqueadores, hidroclorotiazida, metildopa, estatina e antidepressivos tricíclicos podem reduzir os níveis de CoQ10.

 A forma reduzida da CoQ10 é capaz de seqüestrar radicais livres que podem causar danos ao DNA, proteínas e lipídeos, provocando várias doenças, incluindo doenças cardiovasculares, e doenças neurodegenerativas tais como Alzheimer e Parkinson. Os efeitos da administração de CoQ10 em pacientes com diversas doenças degenerativas vem sendo estudado. Em vários modelos animais de doenças neurodegenerativas a CoQ10 mostrou efeitos benéficos, diminuindo a progressão das doenças. 

 Na doença de Parkinson alguns estudos preliminares começaram a sugerir que, em estágios iniciais da doença, a ingestão diária de determinadas doses de CoQ10 pode ajudar a retardar o processo degenarativo. Shults e colegas em 2002 verificaram que pacientes que receberam CoQ10, na dose estudada, apresentaram 44% menos declínio na função mental, motora e na capacidade de realizar atividades cotidianas (como se vestir e se alimentar) comparados com pacientes que receberam placebo. No entanto, Storch e colegas em 2007 não conseguiram obter resultados tão otimistas, já que não conseguiram demonstrar diferenças entre os pacientes que receberam altas doses de CoQ10 e aqueles que receberam placebo.

 Estudos preliminares também sugeriram um retardo na progressão da Doença de Huntington e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), no entanto os experimentos ainda estão em progresso e nenhum resultado conclusivo foi alcançado.

 Por ser um potente sequestrador de radicais livres, pesquisadores do Laboratório de Bromatologia e Nutrigenômica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto/SP, estão estudando os efeitos antioxidantes da CoQ10 na proteção contra os efeitos neurotóxicos causados por drogas quimioterápicas. Este trabalho ainda está em fase preliminar de estudo.

 É importante ressaltar que embora a CoQ10 tenha apresentado resultados positivos nas pesquisas com doenças neurodegenerativas, outros estudos são necessários antes que possa ser determinada a eficácia da CoQ10, para que os pacientes não sejam expostos a riscos desnecessários e gastos significativos.

Fonte: Mega21.com.br
Após várias pesquisas em sites estrangeiros, descobri a vitamina Q 10, também chamada de coenzima Q 10 é considerado o suplemento deste século, eficaz a manutençao das células aumentando a sua longevidade, com doses entre 30 a 100 mg diários, somente para pessoas a partir dos 30 anos de idade.

Para o Mal de Parkinson, na dosagem diaria de 1.200 mg diarios, observou-se melhora de 44 % em média, num estudo feito com doentes deste mal, enfim serve para todos os males, alzheimer, isquemia, diabetes, pressão alta, etc. Fonte: (Wikipédia)



Tradução de um site americano, original em ingles

Coenzima Q10 (Coenzyme Q10) é essencial para a produção de energia de cada célula no corpo. É um nutriente chave e ótimo antioxidante para manutenção de um coração saudável. Maiores dosagens diárias de Coenzima Q10 (50mg ou mais) podem fornecer uma proteção cardiovascular e antioxidante ainda maior do que as dosagens diárias abaixo de 30mg.

Os Benefícios de Coenzima Q10:

Coenzima Q10 ajuda a manter um perfil favorável do lipídeo.

Em Angina, CoQ10 melhora a utilização de oxigênio e melhora a fonte de sangue.

Em Hipertensão, CoQ10 restaura a biogenética e melhora a condição funcional.

Em Myocardial Infraction, CoQ10 diminui as altas concentrações dos níveis da Lipoproteína-A Trombogênica e diminui os danos nos tecidos causados pela isquemia e reperfusão por causa de suas propriedade antioxidantes.

Em CCF, CoQ10 corrige a disfunção diastólica.

CoQ10 reduz a demanda dos tecidos e melhora a capacidade de regeneração dos antioxidantes.

CoQ10 melhora utilização periférica, e assim corrige o estresse oxidativo.

CoQ10 impede os danos de radicais livres nos tecidos normais expostos ao tratamento de câncer convencional,
e reduz a toxidade cardíaca do agente quimioterápico, Adriamicina.

Em Reações Alérgicas CoQ10 inibe liberações de histamina e SRSA (Slow Reaction Substance Anphylaxis).

CoQ10 ajuda na energysynthesis (síntese da energia) em mitocôndria assim ajudando na motilidade dos espermatozóides e nas atividades de seus antioxidantes, ajuda a impedir a peroxidação lipídica exercendo assim o efeito benéfico no funcionamento defeituoso dos espermatozóides.

COENZIMA Q-10 Útil para muitos pacientes do programa de longevidade cerebral, principalmente porque aumenta o potencial energético gerado em cada uma das células do corpo, inclusive os neurônios, a coenzima Q-10, ou CoQ, é encontrada em todas as células do corpo e ajuda as "usinas elétricas" (as mitocôndrias) a produzirem energia.



A CoQ 10 é sintetizada a partir dos aminoácidos fenilalanina e tirosina, e qualquer pessoa que não receba uma quantidade suficiente desses nutrientes pode estar com déficit de CoQ. Os sintomas desse déficit podem ser a fadiga, letargia mental ou depressão.



Além de suprir energia, a CoQ mostrou-se eficaz como terapia nutricional complementar para a insuficiência cardíaca congestiva, angina de peito, pressão alta e arteriosclerose. Nos animais, ela mostrou aumentar a duração da vida. Estudos feitos na Escola de Medicina de Harvard revelaram que é um poderoso antioxidante no cérebro.


A CoQ teve sua segurança analisada minuciosamente e não apresentou qualquer efeito colateral.


Tendo como base recentes pesquisas, uma boa dose diária para a maioria das pessoas é de 100 mg.


Voce encontra no Brasil, apenas em farmácias de manipulação, grávidas não devem utilizá-la.

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Abaixo reproduçao de outro site em espanhol


Aproximadamente 95% da energia celular é produzida a partir de estruturas em nossas células chamadas de mitocôndrias. A Conezima Q10 (CoQ10), pertence a uma família de substâncias denominadas ubiquinonas e está incorporada dentro das mitocôndrias das nossas células, onde facilita a transformação de gorduras e açúcares em energia. Um grande número de evidências científicas demonstra que a habilidade de renovar a função mitocondrial tem um importante efeito na saúde humana como um todo.
Quando os níveis de CoQ10 diminuem, a habilidade das células para manter mesmo as funções metabólicas mais básicas, torna-se prejudicada. Além de produzir energia, a CoQ10 é um dos mais poderosos antioxidantes do nosso corpo, pois pode proteger o organismo dos radicais livres, que aceleram o envelhecimento e provocam doenças degenerativas.
As células cardíacas têm uma grande demanda de energia, e muitos estudos clínicos têm investigado o papel da CoQ10 nas funções cardíacas. Cientistas também observaram que a CoQ10 provê energia para órgãos cujas células requerem um alto nível de energia como os músculos, cérebro e rins. Atualmente, uma razão a mais para garantir níveis adequados de CoQ10 é o grande uso de medicamentos como as estatinas (drogas utilizadas para reduzir o colesterol e o LDL) por grande parte da população, pois é sabido que as mesmas depletam CoQ10. As estatinastêm sido associadas com uma redução dos níveis plasmáticos de CoQ10 em torno de 40%.
A seguir, algumas fontes alimentares de CoQ10: abacate,sardinha, cavalinha, soja, açaí, nozes, amendoim, gergelim, brócolis, carne bovina, salmão e espinafre. Como suplemento, pode ser encontrada na forma de comprimidos ou cápsulas em doses que variam de 50 a 200mg. Entretanto, o seu uso é recomendado somente mediante a prescrição de um nutricionista.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Medicamentos para dormir, como o diazepam, podem triplicar o risMedicamentos para dormir, como o diazepam, podem triplicar o risco de câncer de pulmão, diz estudo

Comprimidos tomados por milhões de pessoas em todo o mundo para que elas possam dormir, podem triplicar o risco de câncer de pulmão, revela nova pesquisa.
O estudo adverte que tomar os medicamentos regularmente implica em uma taxa mais elevada de tumores mortais. Os resultados de cerca de 30.000 pessoas também revelaram que eles aumentam o risco de desenvolvimento de câncer de boca, nariz e traqueia.
Os cientistas disseram que, aqueles que utilizam regularmente pílulas para dormir, pelo menos duas vezes por semana, tinham 2,5 vezes mais chances de desenvolver câncer das vias aéreas do que os não-usuários. E naqueles que usam as drogas por três anos ou mais, o risco apareceu de forma ainda maior.
O estudo, que começou há 20 anos, envolveu cientistas da Noruega, Finlândia e Reino Unido, e é considerado o maior no destaque do risco de câncer pelo uso de soníferos (ou ansiolíticos). Uma série de estudos menores já sugeriram uma ligação, mas eram pequenos demais para serem conclusivos.
A pesquisa não prova que as pílulas populares, chamadas de benzodiazepínicos, sejam cancerígenas. Mas, em um relatório sobre suas descobertas, os cientistas alertam: "Mais pesquisas são urgentemente necessárias para determinar se medicamentos atuais para dormir aumentam o risco de câncer”.
Cerca de um em cada dez britânicos usam comprimidos para dormir, prescritos por médicos. No Brasil, também é grande o número de usuários, bem como nos EUA. Temazepam é um benzodiazepínico muitas vezes prescrito para insônia, em toda a Europa, assim como outros medicamentos populares, como o diazepam.
Nos EUA, a partir de 2008, um estudo descobriu que 5,2 % dos adultos americanos estavam tomando medicamentos para combater a insônia. Mas eles têm sido perseguidos por questões de segurança. Drogas benzodiazepínicas têm sido associadas à doença de Alzheimer.
E em 2013, os cientistas advertiram que drogas Z-hipnóticas (sedativo-hipnóticos) aumentaram o risco de ataques cardíacos em até 50%. Elas também têm sido associadas a comportamentos perigosos do sono.
O estudo recente, feito por uma equipe do Instituto Norueguês de Saúde Pública, analisou os registros de milhares de trabalhadores do setor público. Cada um foi regularmente questionado sobre temas de estilo de vida, incluindo padrões de sono e o uso de todos os tipos de pílulas para dormir, durante quase 20 anos. Os resultados mostraram apenas um pequeno aumento no risco de câncer. Mas, quando os cientistas analisaram os cânceres respiratórios - aquelas que afetam as vias aéreas - eles encontraram um aumento preocupante.
Pílulas para dormir têm sido associadas a um maior número de infecções que podem permitir que as células cancerígenas cresçam. Os investigadores, contudo, observam que os resultados também podem ter sido afetados por taxas de tabagismo. "A associação entre o uso de medicamentos para dormir e um aumento do risco de mortalidade tem sido documentada em mais de 20 estudos. Embora a maioria das pesquisas tenha se concentrado em todas as causas de mortalidade, alguns estudos descobriram que medicamentos para dormir estão especificamente relacionados com as mortes por câncer”,disseram em um relatório.
A Cancer Research UK disse que ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre os perigos do uso da pílula para dormir. "O melhor conselho para reduzir o risco de câncer continua sendo o mesmo: não fumar, ter uma dieta equilibrada, manter um peso saudável, reduzir o álcool, ser ativo e desfrutar do sol de forma segura”, disse Sarah Williams, gerente de informações de saúde da instituição.

terça-feira, 2 de junho de 2015

vitamina D

Artigo de John Cannell, MD – Tradução de José Carlos Brasil PeixotoDrCannell-620x980.
Você viu os recentes artigos sobre a vitamina D na Newsweek e no Boston Globe? A manchete do artigo da Newsweek era: “Estão os americanos morrendo por falta da vitamina D?” E por que toda essa agitação sobre a vitamina D?
Todos nós sabemos que a vitamina D (colecalciferol) é crucial para sua saúde. Mas a vitamina D é realmente uma vitamina? Está presente nas comidas que os humanos normalmente consomem? Embora exista em algum percentual na gordura do peixe, a vitamina D não está em nossas dietas a não ser que os humanos artificialmente incrementem um produto alimentar, como o leite enriquecido com vitamina D. A natureza planejou que você a produzisse em sua pele, e não a colocasse direto em sua boca.

Então, seria a vitamina D realmente uma vitamina?

Diferentemente de qualquer outra vitamina, a vitamina D é realmente um pré-hormônio. O seu corpo é a única fonte do potente hormônio esteróide chamado calcitriol. Como isso naturalmente acontece? Primeiro, sua pele produz vitamina D quando a luz solar atinge uma molécula de pré-colesterol. Então seu fígado converte a vitamina D na forma de armazenamento chamou calcidiol (25-hidroxi vitamina D). O corpo armazena o calcidiol no sangue e na gordura para uso posterior.
(Seu médico pode medir o calcidiol com um exame de sangue para descobrir se você apresenta deficiência de vitamina D. Os níveis ideais de calcidiol [25-hidroxi vitamina D] estão entre 35-65 ng/ml [87-162 nm/L], ao longo do ano.)
Se você tiver suficiente calcidiol em seu sangue, então as “coisas realmente acontecem”. Um pouco de calcidiol vai para os rins para ajudar a manter os níveis de cálcio no sangue, mas o mais importante acontece nos seus tecidos. Os tecidos por toda parte do seu corpo convertem calcidiol em calcitriol. O calcitriol, ou vitamina D ativa, é o hormônio esteróide mais potente do corpo humano. É ativo em quantidades medidas em pico gramas ou 1/1.000.000.000.000 de um grama.
Como os todos os hormônios esteróides, o calcitriol funciona ligando seus genes. Isto é, em centenas de tecidos por todo o seu corpo, o calcitriol expõe seu genoma! Ele dá o sinal para seus genes produzirem centenas de enzimas e proteínas cruciais para manter a saúde e lutar contra doenças.

Obtendo sua porção de vitamina D

Tudo isso acontece, só se você conseguir suficiente vitamina D a partir dos raios do sol ou de suplementos. Se você é um dos que evitam totalmente o sol, pesquisas recentes indicam que você precisa mais ou menos 4.000 unidades de vitamina D em um dia! Então você não vai conseguir suficiente vitamina D a partir do leite (a menos que você beba 40 copos por dia) ou de um multi-vitamínico (a menos que você ingira mais ou menos 10 tabletes por dia), aliás, nada disso é recomendado.
Se você não conseguir a vitamina D do modo como a Mãe Natureza pretendeu, a partir do raio do sol, você precisa tomar suplementos de vitamina D. Muitos de nós conseguimos muito mais vitamina D dos raios solares do que nós imaginamos, mas a maioria tem uma necessidade de mais ou menos 2.000 unidades extras por dia. Cada vez mais a Internet e lojas de suplementos alimentares e de saúde vendem vitamina D.
Tenha certeza de que a vitamina D que você compra é puro colecalciferol. Não compre uma preparação adicionada com vitamina A. Apenas puro colecalciferol.
Muitas das doenças de civilização moderna – câncer, doença de coração, diabete, hipertensão, doença periodental, depressão e até obesidade – estão agora claramente associados com a deficiência de vitamina D. Mas uma associação não é o mesmo que uma relação de causa e efeito. A deficiência de vitamina D causa muitos casos dessas doenças da civilização moderna? Nós apenas não sabemos. Nós precisamos dos Institutos Nacionais de Saúde para financiar mais pesquisa em vitamina D. Até agora, porém, eles recusaram.
Se você quiser entender a vitamina D, você precisa reconhecer três fatos que tem sido geralmente ignorado por quase todos exceto alguns cientistas da vitamina D. Aldous Huxley uma vez disse, “Fatos não deixam de existir, apenas porque eles são ignorados.” Dois destes fatos ignorados são questões simples e um terceiro é mais complexo.

O hormônio esteróide

O primeiro fato que você já conhece. A forma ativa de vitamina D é um hormônio esteróide, e o mais potente no corpo. Os hormônios esteróides funcionam por “desmascarar” o genoma. Isto é, eles habilitam a produção de proteínas e enzimas pelo seu equipamento genético, a essência da vida. Então a forma ativa de vitamina D age habilitando a expressão genética de proteínas e enzimas cruciais para a saúde em centenas de tecidos por todo o corpo. Este fato explica por que a deficiência de vitamina D é envolvida em tantas doenças diferentes.
O segundo fato mudou minha vida. Fez-me perguntar por quê? O fato é o seguinte: A maioria de nós produz mais ou menos 20.000 unidades de vitamina D após mais ou menos 20 minutos de sol de verão. (Para a maioria dos tipos de pele, um mínimo eritema por todo o corpo [vermelhidão leve] produzido pela luz de raios UVB resulta na produção de cerca de 20.000 unidades de colecalciferol.) Isto é mais ou menos 100 vezes mais vitamina D do que o governo diz que você precisa diariamente.
Pergunte a si mesmo: por quê? Por que os seres humanos fariam tanta vitamina D, com tanta rapidez? Eu pensei sobre isto, estudei livros de ensino, pesquisei na literatura médica, perguntei a todos os peritos, e dediquei o resto de minha vida profissional a fazer outras pessoas a se perguntarem “por quê?” Por que nós teríamos um sistema hormonal esteróide que faz tanto substrato com tanta rapidez?
A única resposta que qualquer um pode apresentar é: “Provavelmente seja por uma boa razão.” A ciência não sabe por que. Os biólogos sabem que a natureza não projeta sistemas tão complexos quanto o sistema hormonal esteróide da vitamina D sem alguma razão. A ciência médica simplesmente não sabe por que nós temos a capacidade para produzir tanta vitamina D tão depressa.
Se você pensar sobre isso por um tempo razoável, você também concluirá que é provavelmente para uma boa razão. Embora nós não saibamos por que, alguns cientistas têm tentado descobrir por que, e perdem o fôlego nas explosivas possíveis implicações.
Este segundo fato também diz a você algo sobre a condição humana normal – e o atual desvio de conduta. Antes de nós começarmos a viver em edifícios e carros, vestindo roupas protetoras contra o sol e besuntando em bloqueadores solares, nós lavrávamos e caçamos. E antes disso, nós procurávamos por alimentos, desnudos sob o sol subequatorial africano por mais de um milhão de anos.

Quanta vitamina D nós obtínhamos então? Muita.

Nós começamos a movermos para os interiores durante a revolução industrial e agora o movimento está quase completo. Alguns de nós ficamos por dias, semanas, ou até meses sem deixar que um único raio de sol atinja nossa pele e produza vitamina D. Se nós formos ao sol, nossos dermatologistas nos repreendem. Tanto faz se é bom ou ruim, esta forma de existência é aberrante para a espécie. A “moderna” evitação ao sol é um erro de conduta para o homo sapiens.
Uma vez que nós produzimos mais ou menos 20.000 unidades de vitamina D com alguns minutos de raio de sol (talvez 10.000 unidades após nossa pele ficar bronzeada), foi assim que o ser humano fez para ter muita vitamina D a cada dia, até muito recentemente. Agora, a maior parte de nós obtém muito pouco. Isto é simplesmente um desvio.

Controlando a natureza?

O terceiro fato é mais complexo e tem a ver com a regulação singular do sistema hormonal esteróide da vitamina D. Os hormônios esteróides são moléculas fabricadas a partir do colesterol que atuam agindo sobre um receptor no genoma. Os sistemas hormonais esteróides são firmemente regulados pelo organismo. Quando os níveis estão muito baixos, o corpo fabrica mais hormônios. Quando aqueles níveis estão muito altos, o corpo produz menos. Mas não com a vitamina D.
Primeiramente, diferente de outros sistemas esteróides, o sistema da vitamina D necessita de ambos, colesterol e luz solar para iniciar. O corpo não tem nenhuma maneira de obter vitamina D a menos que você entre em contato com o sol ou tome suplementos. Lembre, diferentemente de todos os outros hormônios esteróides, o corpo não pode fabricar sua própria vitamina D a partir do colesterol. Ele necessita de raios de sol também.
Claro, até mais ou menos 300 anos atrás, os humanos sempre tiveram muitos raios solares.
Lembre, a ação real está nos tecidos. O sistema de vitamina D autócrino (para a própria célula) e parácrino (para as células vizinhas) parecem estarem ligados a pleno o tempo todo. (Em termos científicos, a constante de Michaelis Menton nunca é alcançada plenamente até que ocorra o pleno equilíbrio das taxas de concentração dos substratos fisiológicos de ambas, a produção de calcidiol do fígado e da produção de calcitriol dos tecidos.)
O sistema direto de retroalimentação negativa (direct negative feedback) não parece estar operando em níveis fisiológicos para ambas as produções de calcidiol no fígado e calcitriol nos tecidos. Isso implica que os níveis nos tecidos podem estar cronicamente esvaziados nos humanos modernos. Além disso, nós não temos nenhum método fácil de saber se nós estamos depletados, uma vez que isso se tornou um estado humano padrão.
Se a produção de tecido de calcitriol está ligada a pleno, o tempo todo, o que previne a toxicidade da vitamina D nos humanos que vivem sob o sol? Primeiro muito da vitamina D você produz é excretado pela bílis. O mesmo pode ser verdade para muito do calcidiol que seu fígado produz. Além disso, existem numerosos outros metabólitos da vitamina D. Então, apenas mais ou menos 1/1000 de seu calcidiol é transformado em calcitriol. Dito isso, a produção nos tecidos de calcitriol está ainda correndo a pleno sob concentrações normais do substrato calcidiol.

Então o que limita a quantia de calcitriol nos tecidos? A pele.

Depois de você produzir mais ou menos 20.000 unidades, os raios de sol começam a destruir vitamina D na pele. Em outras palavras, a mesma luz solar que produz vitamina D é a primeira a iniciar o seu processo de degradação. A produção equivale à destruição.
Como a produção de calcitriol nos tecidos e a criação de calcidiol no fígado sempre funcionam abaixo de sua capacidade bioquímica, isso significa que o processo limitador das taxas do hormônio esteróide mais potente do corpo humano parece recair sobre a pele. De certo modo, isso recai sobre seu comportamento, sua escolha em andar ao sol – ou não. Isto é biologicamente inigualável para qualquer um de todos os hormônios esteróides.
Este complexo terceiro conjunto de fatores fortemente implica numa severa deficiência difundida entre os seres humanos modernos. Quando os sistemas de hormônio de esteróide são ligados a pleno, sem desligamento periódico, isto normalmente significa que o corpo está sempre pedindo por mais! Uma vez que poucos de nós vivemos desnudos sob o sol, nossos sistemas de vitamina D estão secos, nossos tanques de calcidiol estão sempre com o ponteiro na reserva, nossos tecidos estão famintos por mais desse hormônio esteróide, o mais potente do corpo, e, talvez por isso, as doenças de nossa civilização estejam cada vez mais disseminadas.
É por isso toda essa estapafúrdia sobre o assunto…